Ciclo 1 · Saberes Shawãdawa · Módulo I
Cosmologia, espiritualidade e práticas xamânicas
O encontro
Tuku Udi Shawãdawa, liderança espiritual da Aldeia Raimundo Vale e presidente da Associação Pushuã, conduziu o primeiro módulo do ciclo. A conversa girou em torno da cosmologia Shawãdawa e das formas de compreensão do mundo entre os povos indígenas: as relações entre seres humanos, animais, elementos celestes e os mortos, os mitos de origem e as práticas rituais e espirituais do povo.
O encontro aproximou conhecimentos tradicionais indígenas e estudos acadêmicos sobre cosmologia, mitologia, relações entre humanos e não humanos e xamanismo, sem tomar os primeiros como objeto dos segundos.
O cajado
Um momento despertou interesse particular: Tuku Udi apresentou um cajado ornamentado com a representação de uma arara e de uma cruz. Mais importante do que atribuir ao objeto uma leitura externa é considerar o sentido que ele próprio lhe deu. A arara não é ornamento: shawã significa arara e dawa significa povo. É dessa relação que o nome do povo se faz. A cruz, por sua vez, não se explica como simples adoção de um símbolo cristão, mas pelas relações históricas e religiosas que atravessam a experiência Shawãdawa.
O que ficou dito
Deste encontro saíram os 21 registros publicados no arquivo de trechos. Entre eles, o mito do dilúvio e do ancestral que guardou cada semente, a samaúma como casa de todos os seres, a distinção entre Yuxin e Yuxibu, as orações de cada etapa do feitio, a chegada da FUNAI em 1975 e a proibição da língua.